quinta, 12 maio 2011 11:03

Instrumentos de corda precisam de tocadores jovens para fazer perdurar a tradição

Escrito por  Marla Pinheiro/foto: Susana Garcia

 

Com o objectivo de divulgar a música tradicional portuguesa, o Grupo de Cantares Ilha Azul nasceu no Faial, a 12 de Maio de 1996. Desde então, tem trabalhado para cumprir os seus objectivos, e levado a música tradicional portuguesa, com destaque para os sons açorianos, a vários locais do país, e inclusive aos Estados Unidos.

Com dois trabalhos discográficos editados, o Grupo de Cantares Ilha Azul organiza anualmente no Faial um Encontro de Música Tradicional.

A comemorar as suas “bodas de cristal”, o grupo continua apostado em perseguir os objectivos pelos quais foi criado, com a mesma energia do início. A falta de um local próprio onde ensaiar e a carência de jovens músicos que queiram aprender a tocar os instrumentos regionais são as dificuldades que se colocam a esta instituição.

Actualmente com 15 elementos, o Ilha Azul é o exemplo de que a música tradicional açoriana é para todas as idades, já que o benjamim do grupo tem 9 anos, e o elemento mais velho conta já com 78 primaveras. 

Com ensaios semanais, durante todo o ano, o Grupo de Cantares depende de muito empenho dos seus elementos, que vêm de diversos pontos da ilha. Uma das aspirações para o futuro é um espaço próprio onde o grupo se possa reunir e ensaiar. Para já, é apenas um sonho, e o grupo ensaia nas antigas instalações da Biblioteca Pública da Horta.

José Xavier, presidente da direcção do Grupo, revela que houve a hipótese do Ilha Azul ocupar uma sala no Centro Associativo Manuel de Arriaga, no entanto tal não chegou a acontecer porque o espaço disponível era demasiado pequeno para que o grupo pudesse ensaiar. “Pode ser que algum dia seja possível. Há tantos espaços que vão ficando vagos, como escolas… Pode ser que um dia tenhamos um espaço próprio”, aspira o responsável, que no entanto salienta que, melhor do que qualquer sala de ensaios, é a longevidade e a força do grupo.

No entanto, para assegurar precisamente essa longevidade, é necessário que as novas gerações vão sucedendo às mais velhas. No que diz respeito ao instrumental utilizado pelo grupo, essa sucessão não parece estar a acontecer, uma vez que é cada vez mais difícil encontrar jovens a apreender bandolim, por exemplo, ou outros dos instrumentos de corda que fazem a sonoridade da música tradicional portuguesa. “Antigamente, a escola era feita nas tunas que existiam nas freguesias. Agora é muito difícil encontrar jovens a tocar esses instrumentos”, refere José Xavier. Para o responsável, seria importante que o Conservatório Regional da Horta disponibilizasse aulas desse tipo de instrumentos, de modo a garantir a sua continuidade nos diversos grupos de cantares e grupos folclóricos da ilha. 

O 15.º aniversário do Grupo de Cantares Ilha Azul assinala-se hoje, com um jantar convívio onde o grupo apresentará os novos temas ensaiados para este ano. A festa contará com a colaboração do Grupo Ecos do Fado.

Leia a reportagem completa na edição impressa do Tribuna das Ilhas de 13.05.2011, ou subscreva a assinatura digital do seu semanário

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